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Voltar à página anterior. Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro

Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920) foi desenhador humorista, ilustrador e ceramista. Autor de vasta obra gráfica, fez banda desenhada e destacou-se como pioneiro da ilustração infantil em Portugal. Inovou na cerâmica, conciliando a tradição naturalista das Caldas da Rainha e a Arte Nova.

Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro. Fotografia de Arnaldo da Fonseca, 1919.

Nasceu em Lisboa, a 20 de junho de 1867, cidade onde viria a falecer a 8 de setembro de 1920.

Filho do célebre artista Rafael Bordalo Pinheiro e seu principal seguidor publicou pela primeira vez no jornal paterno O António Maria, em 1884, colaborando desde aí ativamente e com enorme dedicação nos jornais fundados pelo seu pai, como também nos Pontos nos ii e n’A Parodia, que veio a dirigir até 1907.

Manuel Gustavo com o pai, Rafael Bordalo Pinheiro, a mãe, Elvira, e a irmã Helena, na década de 1870.

Participou em várias publicações periódicas, realizando BD‘s cómicas para diversas revistas ilustradas, ao lado de artistas das artes e letras do período.

Ilustrou obras literárias, livros técnicos e revistas, salientando-se as colaborações na Illustração Portugueza e na Atlântida, entre 1913 e 1920, período pouco conhecido da sua produção gráfica.

Na sua obra, tem destaque a ilustração infantil, com a criação do herói que deu nome à revista Gafanhoto, publicada entre 1903 e 1910, e o livro O Sr. Wilson e os seus sete presentes, publicado postumamente (1921).

Após a morte de Rafael Bordalo Pinheiro, em 1905, deu continuidade à produção cerâmica nas Caldas da Rainha, realizando várias exposições onde apresentou modelos do seu pai, mas também diversas criações da sua autoria, pelas quais recebeu largos elogios na imprensa da época.

Manuel Gustavo viveu sob a égide de um legado familiar forte e reconhecido que marcou o seu empenho na continuidade e na defesa da obra “bordaliana”. Conseguiu inovar nos seus trabalhos gráficos e cerâmicos, encontrando um equilíbrio entre a herança paterna e a modernidade do início do século XX, aproximando-se de uma nova linguagem que dava resposta à jovem geração de leitores e de diferentes públicos da Fábrica de Faianças.

Ilustração Portuguesa, 22.06.1914

Defendeu como nenhum outro a arte de Rafael Bordalo Pinheiro e teve como grande ambição internacionalizar a indústria cerâmica das Caldas da Rainha, como nos escreve em 1909:

Jurei a mim mesmo luctar até à última para continuar e sustentar esta indústria tão pitoresca, tão portugueza e apesar de tantos sacrifícios anima-me sempre a ideia de que talvez um dia encontre alguém, capaz de me proporcionar elementos para me alargar até aos grandes centros da Europa e da América e poder trabalhar enfim, com socego e desassombro.
É esta a esperança que me faz viver.

Centenário da morte de Manuel Gustavo

No ano de 2020, em que se recordam os 100 anos da morte do artista, o Museu Bordalo Pinheiro disponibiliza diversos conteúdos digitais que pretendem dar a conhecer a vasta e importante obra de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, tais como:

Entre 24 de setembro e 28 de fevereiro está também patente, na Sala da Paródia, a exposição Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro. Histórias Desenhadas, com curadoria de Mariana Caldas de Almeida.

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Exposição virtual | Google Arts & Culture
MANUEL GUSTAVO BORDALO PINHEIRO

Parte 1 | Abrindo caminho (1867-1870)

Parte 2 | Histórias desenhadas (1880s-1890s)

Parte 3 | Um ceramista que começa (1900s)

Parte 4 | Humor no quotidiano (1910-1920)

PUBLICAÇÕES

Na sua Biblioteca, o Museu Bordalo Pinheiro integra a maioria das obras de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (bibliografia ativa), bem como parte dos catálogos das exposições de cerâmica em que participou, que são hoje a memória desses eventos.