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Artistas em residência no Museu Bordalo Pinheiro

David Lopes, Diogo da Cruz, Eduardo Freitas e Giulia Paz

21 de Setembro a 18 de Outubro de 2026

O Museu Bordalo Pinheiro acolhe, entre os dias 21 de setembro e 18 de outubro de 2026, a 6ª edição do programa Residências Artísticas Bordalo Pinheiro.

David Lopes, Diogo da Cruz, Eduardo Freitas e Giulia Paz são os quatro artistas participantes nesta 6ª edição programa. A partir de outubro, os quatros artistas irão expor o trabalho resultante desta residênciana Sala da Paródia, do Museu Bordalo Pinheiro.

A iniciativa, lançada pelo Museu no verão de 2021, tem como objetivo promover a produção artística contemporânea, relacionando-a com a obra e o pensamento de Rafael Bordalo Pinheiro, e estimulando o contacto entre os artistas em residência e os públicos do Museu.

DAVID LOPES

David Lopes (Porto, 1993) é artista visual. A sua prática cruza desenho, impressão, fotografia e instalação para explorar temas como a memória, o território, o arquivo e a cultura material. Doutorado em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, é Professor Auxiliar na Universidade Portucalense (Porto) e Professor Auxiliar Convidado na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Expõe regularmente desde 2015, destacando-se as exposições individuais Fazer do Arquivo, Atlas (2025), nachleben (2023) e Imagens que Não Servem para Ver (2019). O seu trabalho foi apresentado em instituições como o IPCNY (Nova Iorque), a Fundação Marques da Silva e o Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto. Em 2021 recebeu o Prémio da Fundação CIEC – Centro Internacional de la Estampa Contemporánea.
Website: https://david-lopes.persona.co/

Marıa — sem ponto no i parte das histórias orais de Maria José Correia (1922–2022), avó do artista, relacionando a sua vida com a personagem Maria Paciência, de Rafael Bordalo Pinheiro. O projeto procura criar imagens para estas histórias, dando forma à memória de uma mulher pobre, analfabeta e anónima que atravessou grande parte do século XX. O nome Maria, um dos mais comuns em Portugal, torna-se assim um símbolo simultaneamente pessoal e coletivo.A narrativa será desenhada sobre fragmentos de pedra de Ançã, material ligado à tradição da litografia portuguesa e superfície a partir da qual Bordalo Pinheiro imprimia as suas ilustrações. Organizados num friso contínuo, os fragmentos de pedra procurarão explorar a relação entre a linguagem da banda desenhada e a instalação artística contemporânea.

DIOGO DA CRUZ

Diogo da Cruz (Lisboa, 1992) é um artista que vive e trabalha entre Berlim e Lisboa. A sua prática abrange a criação de esculturas, instalações e filmes que exploram cenários parcialmente ficcionais enraizados em preocupações sócio-políticas, inspirando uma reflexão crítica sobre sistemas estabelecidos de pensamento e poder.
Estudou Escultura em Lisboa e Munique e participou em programas internacionais de investigação no Institute for Postnatural Studies (Madrid 2023) e na Maumaus (Lisboa 2016). Entre 2018 e 2024, trabalhou como professor assistente na Academia de Belas Artes de Munique.
Diogo expôs internacionalmente, incluindo no Museu de Serralves (Porto), Walk&Talk (Açores), B&M Theocharakis Foundation (Atenas), S1 Artspace (Sheffield) e Kunstverein München. O seu trabalho tem sido apoiado por diversas bolsas e residências, entre as quais Ses12Naus (Ibiza, 2025/26), Onassis AiR (Atenas, 2025), Rocabella (Le Pradet, 2025) e Pivô (São Paulo, 2023), bem como financiamento da Stiftung Kunstfonds e do DAAD.

Fora de Escala propõe a criação de uma série de esculturas cerâmicas de exterior, representando organismos marinhos microscópicos, como diatomáceas, dinoflagelados e radiolários, ampliados até à escala do animal de jardim, em diálogo directo com a fauna cerâmica de exterior concebida por Rafael Bordalo Pinheiro. O projecto nasce de uma investigação artística de longa data em torno de ecossistemas aquáticos, memória colonial e organismos invisíveis a olho nu, na qual estas microalgas surgem como protagonistas de uma narrativa especulativa sobre resistência, memória e sobrevivência. Trabalhando com barro, técnicas de modelação manual e vidrados de inspiração na faiança portuguesa, Diogo procura dar corpo, escala e presença pública a seres que normalmente vivem para lá do limiar da nossa perceção, lidos simultaneamente como observação científica e como fábula.

EDUARDO FREITAS

Eduardo Freitas (Ponta Grossa, Brasil, 1990) vive e trabalha em Portugal desde 2017. Escultor e ceramista, é doutorando em Arte Contemporânea na Universidade de Coimbra (bolseiro FCT) e mestre em Práticas Artísticas pela Universidade de Évora. O seu trabalho investiga os atos de esculpir, cozinhar, comer e servir como práticas artísticas, cruzando quotidiano e política, ironia e crítica, a partir da sua experiência de artista e trabalhador migrante entre o Brasil e Portugal. Recebeu, entre outros, a Menção Honrosa da XVII Bienal Internacional de Cerâmica de Aveiro (2025), o Prémio Intervenção Artística da Bienal de Cerveira (2024) e o 1.º prémio da Jov’Arte – Bienal Jovem (2023). Tem obra em coleções públicas de Portugal e do Brasil.

A proposta de Eduardo Freitas para esta residência toma como ponto de partida a expressão popular Maria vai com as outras. Em escultura cerâmica e em diálogo direto com a obra e o pensamento de Rafael Bordalo Pinheiro, o projeto explora, com humor e sentido crítico, as noções de origem, identidade, política e retrato social através da imagem de um alimento popular à mesa portuguesa e brasileira: a bolacha Maria.

Fotografia de Susana Neves

GIULIA PAZ

Giulia Paz (Porto Alegre, Brasil, 1999) é licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2025) e mestranda em Pintura pela mesma instituição (2025 -). A sua prática artística desenvolve-se principalmente na intersecção entre texto e têxtil, articulando-se com a fotografia, o desenho e a instalação para investigar temas como memória, linguagem e pertencimento. A experiência do deslocamento atravessa a sua vida e a sua prática artística e, a partir da relação entre corpo, território e palavra, procura questionar o sentimento de pertença. Já participou de exposições e projetos em Portugal, Brasil e Espanha, com destaque para a sua exposição individual Entretempo (Lisboa, 2025), a Bienal Internacional de Cerveira (2024) e o XV Encontro de Artistas Novos, em Santiago de Compostela (2025).

O projeto Dito e Feito propõe uma reflexão artística contemporânea a partir do legado gráfico, crítico e popular de Rafael Bordalo Pinheiro, com especial atenção ao seu trabalho de caricatura e representação visual de expressões do cotidiano português. Tendo como ponto de partida o Álbum de Caricaturas realizado no ano de 1876 por Rafael Bordalo Pinheiro, no qual ele transforma frases populares em imagens expressivas e satíricas, o projeto propõe uma reinterpretação dessa publicação a partir do uso da fotografia e da realização de cartazes, os quais serão distribuídos na cidade e para o público ativando a relação entre a linguagem popular, a crítica social e o espaço urbano presentes na obra do artista.

Duração da residência: 21 de setembro a 18 de outubro de 2026

Inauguração de exposição: 28 de outubro de 2026

Conheça os artistas participantes na primeira (2021), segunda (2022), terceira (2023), quarta (2024) e quinta (2025) edições das Residências Artísticas Bordalo Pinheiro, bem como as exposições resultantes destas primeiras quatro edições do programa de residências do museu: FRAM, T4 para obras, O Rato Não Roeu, Paródia Cega e A Casa que Salta.