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Tango

Cerâmicas de Margarida Gil

11 de Novembro de 2022 a 22 de Janeiro de 2023

O Museu Bordalo Pinheiro inaugura, no próximo dia 11 de novembro, pelas 18h30, a exposição Tango, de Margarida Gil, com curadoria de André Almeida e Sousa.

Dividida em quatro núcleos (“Tango”, “Montanhas que não se podem escalar”, “Homens mágicos” e “Um Tango para Bordalo”), esta exposição tem lugar na Sala da Paródia e o “desplante da invasão pontual” da exposição Bordalo em Trânsito.

Conhecer a Margarida é conhecer quem de si fala através do que nos diz sobre outras pessoas. Não o faz como se se reservasse, fá-lo antes com a rara generosidade de quem partilha com gosto tudo o que traz consigo: o cinema, os livros, a música, as viagens, a pintura, o barro “que moldo de baixo para cima”, e, em tudo isso, as pessoas – “As pessoas são o mais importante, gosto de pessoas.” Com as mãos sempre inquietas, desenha-as no ar, a estas pessoas e personagens que a habitam e integram, enriquecendo-nos com as suas muitas histórias. Esta arte de narração encontramo-la impressa nas várias actividades da artista e da mulher, num todo indissociável que a exposição vem muito justamente demonstrar, desta vez em cerâmica. Tango é uma exposição de Margarida Gil, em diálogo e confronto com a obra de Rafael Bordalo Pinheiro.
André Almeida e Sousa

Fotografia: Carolina Banza/Museu Bordalo Pinheiro

Margarida Gil por Margarida Gil

Tanto quanto me lembro sempre desenhei, mas foi preciso que uma professora de Filosofia desterrada na Covilhã me pusesse barro nas mãos aos 16 anos
para perceber o gozo e o “jeito”. Ainda pratiquei, já em Lisboa, mas sem cozer, sem
aprofundar, tendo metido nas mãos outras matérias sensíveis, película, vídeo, papel para escrever, etc.. A pintura e a escultura foram recorrendo na minha vida, a espaços, até um dia. De início gravura (com Hugo Amorim na Ar. Co), depois desenho e pintura e todo o curso na Ar. Co com os professores de então de que destaco André Almeida e Sousa, Miguel Branco e, mais tarde, Manuel Castro Caldas, meu tutor. O curso de Artes Plásticas seguiu o seu caminho, exposições subsequentes, Curso Avançado e, finalmente, projecto individual em Cerâmica. Manuel Castro Caldas sempre em tutoria (com Teresa Ramos).

Vinda das mais diversas proveniências (licenciatura em Letras, cineasta e professora na Universidade Nova), sempre o meu percurso estranhou a muita gente, mas depressa se tornou habitual a pergunta: mas é a mesma Margarida Gil? A resposta foi sempre bem mais difícil, não sendo eu Fernando Pessoa. Sim, sou e não sou.
Penso que esta pergunta seria bastante tola se fosse feita no século XVI ou no XVIII, a homens, claro. Ao ver a pintura e a cerâmica (para mim haverá pouca diferença), penso que a mão é a mesma, a cor é a mesma, o traço, ou falta dele, é o mesmo, a cabeça, então porventura será a mesma. Não me cabe chegar a uma conclusão, que, confesso, temo seja redutora e pouco estimulante. O gesto de modular e reconhecer, tardiamente muitas vezes, a forma; o fascínio pela fantasia omnipotente da invocação das artes do fogo na cozedura, na transmutação dos elementos presentes na Cerâmica, tão variáveis consoante a argila, a temperatura, os materiais, a forma da queima, a posição no forno, a imprevisibilidade, condições “constantes” da Cerâmica que fundamentam o seu/meu fascínio.
O Eu, asseguro, é o mesmo.

Margarida Gil

Fotografia: Carolina Banza/Museu Bordalo Pinheiro
Fotografia: Carolina Banza/Museu Bordalo Pinheiro

Inauguração
11 de novembro de 2022, pelas 18h30 // ENTRADA LIVRE

A inauguração contará com um apontamento de dança, Um tango para Bordalo, protagonizado pelos bailarinos Sónia Aires e Paulo Bernardo.

Datas
11 de novembro de 2022 a 22 de janeiro de 2023

Curadoria
André Almeida e Sousa

Leia aqui a folha de sala

Ler aqui textos de Pedro Arrifano, Luísa Costa Gomes e auto-entrevista de Margarida Gil