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Voltar à página anterior. Exposição Temporária

Cronologia de um Manguito

Zé Povinho pelo MANICÓMIO

30 de Junho a 13 de Setembro de 2026

No próximo dia 30 de junho, pelas 18h30, o Museu Bordalo Pinheiro inaugura a exposição Cronologia de um Manguito – Zé Povinho pelo MANICÓMIO, com curadoria de Cláudia Lopes (diretora artística do MANICÓMIO).

Há cento e cinquenta anos, Rafael Bordalo Pinheiro moldou em barro e tinta um reflexo de Portugal que continua mais vivo do que nunca: o Zé Povinho. Mais do que uma simples caricatura de época, ele estabeleceu-se como a personificação da nossa resiliência coletiva, da paciência levada ao limite e da ironia usada como última linha de defesa. Nesta exposição coletiva, “Cronologia de um Manguito”, o Manicómio não se limita a comemorar uma efeméride; propõe-se, antes, através do olhar livre e sem filtros destes artistas, dissecar a anatomia de um símbolo vivo, acompanhando o Zé no percurso inevitável de qualquer existência humana, da luz do nascimento ao peso da velhice.

Esta exposição é um ato de justiça poética, pois tal como Zé Povinho, os artistas também transformam o próprio percurso de estar “à margem” num acto de criação pura. Ao percorrermos estas fases da vida do Zé, somos confrontados com a ideia de que o manguito não é apenas um gesto de desdém, mas uma herança necessária: a capacidade inabalável de manter a dignidade e o humor, mesmo quando o mundo nos parece exigir que baixemos a cabeça.

A exposição reúne trabalhos de Cláudia R. Sampaio, Daniel Arthur, Joana Ramalho, Micaela Fikoff e Pedro Ventura.

Biografias  

Cláudia R. Sampaio é poeta e artista plástica nascida em Lisboa (1981). Estudou Cinema, publicou 7 livros de poesia e tem também obra publicada no Brasil e em várias antologias internacionais de poesia contemporânea. A obra de Cláudia R. Sampaio é auto referencial, a sua pintura caos e ordem, movimento e inquietação, compreende as dicotomias dureza e fragilidade, resistência e vulnerabilidade. Desconstrói-se a si própria ao mesmo tempo que desconstrói o estigma da doença mental. Representada pelo MANICÓMIO desde 2019. A sua obra está representada em coleções particulares. 

Daniel Arthur nasceu no Brasil e cresceu em Portugal. Licenciado em Desenho pela FBAUL, desenvolve a sua prática entre o desenho e a pintura, em formatos tradicionais e digitais. Influenciado pela cultura web, memes e cursed images, procura explorar a beleza no bizarro, no peculiar e no inquietante. É representado pelo MANICÓMIO desde 2021 e o seu trabalho integra coleções privadas em vários países. 

Joana Ramalho é licenciada em Artes Visuais pela Universidade Lusófona, com Pós-Graduação em Pintura pela FBAUL e formação em Pintura e Desenho no Ar.Co. A sua prática cruza pintura, desenho e caligrafia, explorando a escrita enquanto forma visual, gesto e linguagem poética. É representada pelo MANICÓMIO desde 2019, e os seus trabalhos integram várias coleções privadas. 

Micaela Fikoff é artista visual nascida no Rio de Janeiro e radicada em Lisboa. A sua prática centra-se no bordado e nos têxteis, expandindo-se ao desenho e à pintura, numa investigação sobre memória e corpo. A partir de experiências pessoais, constrói uma poética em que gesto, tempo e silêncio se entrelaçam, fazendo do fio e do tecido extensões da vivência interior. Integra o coletivo Manicómio como artista residente e a Associação P28, onde atua como artista facilitadora em múltiplos contextos de ateliê. 

Pedro Ventura define-se como um sonhador. No campo artístico, explora a escrita, a fotografia e a vídeoarte. Na escrita, destaca-se o seu trabalho enquanto letrista no álbum editado pelo Manicómio, intitulado Capaz (2019), em parceria com o músico Senhor Vulcão. Na sua obra plástica, a abstração, o absurdo, a reflexão e introspecção marcam uma presença muito relevante. Na fotografia, a simplicidade das composições alia-se aos contrastes entre luz e sombra, criando uma sensação de profundidade e textura. É representado pelo MANICÓMIO desde 2018.  

O Manicómio é um espaço de criação artística contemporânea, inovação e transformação social, sediado em Lisboa. 
Nasceu em 2018, com um percurso de mais de vinte anos de trabalho em arte contemporânea e em hospitais psiquiátricos, com o objetivo de profissionalizar e integrar nos circuitos artísticos nacionais e internacionais artistas excepcionais, mas historicamente estigmatizados e excluídos devido à sua experiência aberta com a doença mental. 
Com uma abordagem centrada na disrupção, provocação, equidade e direitos humanos, atuamos junto da comunidade artística, da sociedade civil, de empresas e instituições, para transformar o status quo e criar novos paradigmas de valor. 
Para além da arte contemporânea, desenvolvemos múltiplos projetos que cruzam arte, criatividade, transformação social, direitos humanos e saúde mental. 
Estamos atualmente sediados no bairro de Alvalade, em Lisboa, num espaço partilhado com outros profissionais, criativos e empresas — porque acreditamos que o futuro passa pela mistura, valorização, normalização e aceitação da loucura. 

Inauguração
30 de junho de 2026, 18h30
ENTRADA LIVRE

Datas
De 1 de julho a 13 de setembro de 2026

Curadoria
Cláudia Lopes (diretora artística do MANICÓMIO)

Apoios
Gelados Olá